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Ação 8

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Sicília – Uma cadeia de civilizações

A chain of civilizations

Programa e conteúdos do curso de formação – Sicília “Uma Cadeia de Civilizações”

13 a 19 de Fevereiro de 2017

DIA 1

Chegada a Palermo

Encontro do grupo de formandos. Introdução ao programa.

Jantar em grupo

DIA 2

Introdução sobre Palermo

  • Introdução ao tema do curso: Uma Cadeia de Civilizações

Um caleidoscópio de influências http://chain.eu/?m3=22349

Arquitectura árabe e mosaicos bizantinos.

  • San Giovanni dos Eremitas
  • Partida para Monreale
  • Almoço
  • Claustro de Benedettini  http://chain.eu/?m3=22336
  • Catedral de Monreale

Jantar

DIA 3

Gregos, Etrusos, Fenícios, Romanos, Árabes, Normandos: de Elymians (A relação entre  Segesta e  Troia)a Garibaldi (Marsala – Mars-el Allah: Porto de Deus)

http://www.segestawelcome.com/main/segesta-parco-archeologico/

  • Visita a  Mozia http://chain.eu/?m3=24530
  • Museu arqueológico
  • Almoço em Marsala
  • Marsala – Museu e área arqueológica de Lilibeo

Castellammare – Castelo Árabe-Normando Castle – A Memória do Mediterrâneo.

http://chain.eu/?m3=27728

  • Regresso a Palermo

DIA 4

A Herança Grega (The Greek heritage).

Palermo

DIA 5

A sociedade siciliana no cinema e na literatura

DIA 6

Reflexão e avaliação

https://it.wikipedia.org/wiki/I_cento_passi

  • Reflexão: “Os confrontos ou cadeias de Civilizações”
  • Avaliação

Opcional: visita a Cefalu

DIA 7

Oficina de TIC – Disponibilização dos materiais produzidos na revista interativa Chain.eu.

Certificação e encerramento do curso.

Compreender Palermo

Uma das actividades desenvolvidas – Compreender Palermo – teve como objectivo principal compreender de forma mais aprofundada  determinados locais da cidade, conhece-los e reflectir sobre o seu significado explicito ou simbólico. Esses locais, reflectem aspectos considerados relevantes da história da cidade.

Os participantes foram convidados a escolher um determinado local: uma rua, praça, estátua, jardim, etc.
Posteriormente, foi solicitado que fizessem desenhos desses locais em que o significado simbólico e o background ligado ao local fosse expresso de uma forma muito pessoal.

Poema Traduzido

Foto: Kristin Rudin  e Hildegard Moellers, participantes no curso, representando uma entrevista imaginária entre Peppino Impastato e o Juiz Giovanni Falcone, especializado em processos contra a máfia siciliana Cosa Nostra. Foi o juiz principal na conhecida Operação Mãos Limpas.

Tradução para português do poema Poviri illusi, de Michelanglo Balistreri.
(Helena Rodrigues, Carlos Ubaldo, Maria do Céu Santos, Helena Salazar)

Sicília – Uma cadeia de civilizações

Realizou-se entre os dias 13 e 19 de fevereiro mais um curso de formação, integrado no âmbito do projecto Ka1 – Erasmus+ , “ A escola aberta ao exterior”, que entra agora na sua fase final.

O curso, “Sicília, uma cadeia de civilizações”, que decorreu nesta belíssima ilha italiana, contou com a presença de professores da Alemanha, Itália, Suécia, Bulgária, Holanda e Portugal que desenvolveram um variado leque de atividades ligadas à educação cultural em ambiente exterior (outdoor education).

Neste projeto alguns cursos frequentados foram da responsabilidade da organização Chain.eu (http://chain.eu/). Uma das ideias centrais é a de que o património cultural nunca pode ser definido de forma isolada, sendo antes o resultado da interação entre diferentes origens, neste caso, fenícios, gregos, cartagineses, romanos, árabes, normandos, alemães, espanhóis e italianos. A história siciliana, de facto, abrange todos os principais períodos e influências na história e na cultura europeias, por tal razão, o trabalho focou-se numa discussão fundamental sobre o entendimento do que serão as Civilizações: correntes ou confrontos?

O curso permitiu compreender a importância estratégica e comercial da Sicília no centro do Mediterrâneo – entre Este e Oeste; entre o Norte e o Sul. O programa do curso foi estruturado como se de um cronograma se tratasse, podendo a sua história ser agendada de acordo com as várias influências dominantes, refletindo a história geral do continente europeu.

Durante as várias visitas guiadas efetuadas, foi possível ter acesso a uma vasta informação de natureza histórica, arqueológica e artística. Outras dimensões, designadamente a religiosa e também política, foram igualmente partilhadas com o grupo.

De salientar que a informação, não se destinava a ser recebida passivamente pelos participantes, mas serviu antes como pano de fundo para a preparação de várias intervenções que os mesmos tiveram de efetuar ao longo dos dias, quer individualmente, quer em grupo.

Uma das exigências deste curso é que os participantes trabalhem em grupos o mais heterogéneos possível, para dessa forma a troca de conhecimentos e a aprendizagem seja mais enriquecedora, uma vez que os contextos e países de origem são distintos.

Alguns sítios que visitamos demonstram a presença no território de diferentes povos e culturas e, consequentemente dos seus traços identitários, expressos de diferentes formas ao longo da história.

A Herança Grega

Selinunte é a maior área arqueológica em toda a Europa. Foi fundada por volta de 650 a.C. por colonos dóricos de Megara Iblea. O seu nome deriva da forma da planta “selinon” (aipo), que é também o símbolo cunhado nas moedas.

Gregos, Etruscos, Fenícios, Romanos, Árabes, Normandos…

Em Mozia

A forma como Mozia foi construída, numa ilha plana com cerca de 2,5 Quilómetros de circunferência, indica o que os Fenícios foram: comerciantes marítimos. Uma das mais interessantes atividades desenvolvidas pelos participantes consistiu na dramatização, em pequenos grupos, de cenas representativas de momentos importantes da história siciliana.

O objetivo foi seguir os passos de algumas figuras históricas relevantes e trazê-las à vida durante a semana do curso. Os participantes escolheram previamente o seu personagem e criaram-se uma série representações cénicas.

Em Marsala, no Museo archeologico regionale Lilibeo MarsalaBaglio Anselmi, foi representada uma cena relativa a desembarque de Garibaldi e também ao massacre de Bronte.

Influência bizantina e árabe

Durante o Império Bizantino (535-827) a Sicília entrou em contacto com o Oriente, mas como parte de um império árabe maior teve igualmente contacto com a China e a Índia. Sob a influência dos árabes, a Sicília e Espanha atingiram um alto grau de desenvolvimento em comparação com a Europa continental do norte. É interessante considerar que a alfabetização funcional geral entre os sicilianos foi maior em 870 sob o domínio dos árabes e bizantinos do que foi em 1870 sob o domínio dos italianos. Em certos aspetos sociais, a Sicília do século XIX e nos primeiros anos do século XX ainda parecia muito árabe, especialmente fora das maiores cidades.

Nomes de lugares na Sicília ao longo dos séculos

Além dos diferentes estilos arquitectónicos, hábitos alimentares, mitos, elementos folclóricos e costumes, linguagem e nomes de lugares, são evidência da diversa herança siciliana. Estudar nomes de lugares, em particular, para encontrar certas influências culturais é bastante interessante, principalmente se tentarmos descobrir como esses nomes mudaram ao longo dos séculos.

Os gregos costumavam chamar à Sicília, Thrinacia, uma palavra grega composta que vem de τρεις [tris] e άκρα [acra], significando os três promontórios, provavelmente por causa da forma tricúspide inconfundível da ilha. Além disso, o nome de Palermo, a capital da ilha, foi Panormos durante os tempos fenícios. A palavra grega Πάνορμος [Panormos] ou de outra forma,  “qualquer porto” é um nome próprio usado, mesmo hoje em dia na Grécia, para se referir a portos protegidos do vento. A cidade foi rebatizada mais tarde pelos árabes como Balarm, nome que posteriormente originou  Palermo.

Compreendendo Palermo – escolhendo um local

Uma das atividades realizadas, consistiu em selecionar alguns locais no bairro Kalsa, no centro histórico de Palermo. Esses locais deviam refletir aspetos da história da cidade em si, bem como da Itália e da Europa. Os participantes, após a seleção, redesenharam esses locais, procurando relacionar de forma criativa o nome do lugar com outras dimensões simbólicas. Os participantes da nossa escola desenharam a Via Garibaldi, a Piazza Marina, San Giovanni degli Eremiti e a Fontana Pretoria. Esta atividade, insere-se num projeto mais vasto, desenvolvido pela Chain.eu, – Compreendendo a Europa.

A Sociedade siciliana no cinema e na literatura

“O Leopardo” – um romance do escritor siciliano Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957) foi publicado em 1958, um ano após a morte do autor. O livro – embora o único romance escrito por Lampedusa – tem tido uma profunda influência na literatura italiana e é amplamente considerado como um dos obras mais brilhantes sobre a sociedade siciliana em mudança durante e após a guerra de unificação de 1860.

Algumas das tarefas do grupo incidiram precisamente sobre esta obra, tendo sido efectuada leitura de algumas passagens, assim como uma breve representação de uma das cenas mais relevantes da obra.

Encontro com a poetisa Lina la Mattina

Ilha

Nascida como ilha, quero morrer como ilha.
Uma ilha, a forma como Deus me criou
Com todos os seus tormentos e dores
Mas sempre abraçada pelo mar
Uma filha favorita do sol.
Sou uma bela entre as belas
Enfeitada pelo verão e pelo inverno.
Plebeia, orgulhosa, fragrante
Visto-me de milhares de cores
E com esta pele de mel e rosas
Atraio abelhas de todas as raças e lugares.

(Poema de Lina la Mattina)

Como um dos objetivos centrais da participação no curso passa pela compreensão do são as marcas mais relevantes de uma cultura, não seria possível, no caso particular da Sicília, ignorar a questão da Máfia.

Compreender um povo, as suas idiossincrasias, não é tarefa fácil, neste caso particular da Sicília e do fenómeno da Máfia, muito menos, principalmente para aqueles que, como nós, construíram um olhar de fora e por certo não muito claro.

Michelangelo Balistreri de Bagheria denunciou a renda exigida pelos mafiosos (Pizzo). Uma figura muito especial, socialmente comprometida nessa luta.

Casa di Paolo

Neste espaço, procura-se dar uma oportunidade para os jovens que querem escapar da espiral da pobreza e que por isso são presa fácil para entrarem nas fileiras da Máfia.

Visionamos o filme “Os Cem Passos”. O filme é a história de Peppino Impastato, um jovem ativista de esquerda que no final dos anos setenta (quando quase ninguém se atrevia a falar sobre a Máfia, e vários políticos sustentavam que Mafia nem sequer existia) denunciou repetidamente crimes de Badalamenti e todo o sistema da Mafia, usando uma pequena estação de rádio local. Peppino em 1978 (30 anos) foi morto por uma explosão. A polícia arquivou o caso como um acidente ou um suicídio, mas os seus amigos nunca aceitaram essa tese.

Pobres Ilusões

Michelanglo Balistreri

se os mafiosos escrevessem poesia

não veríamos mais mortos

nas ruas

se os mafiosos pintassem quadros

não sentiríamos mais os lamentos das mães

se em vez de dispararem

tocassem guitarra

soaria a paz nos nossos corações

e acabaria a guerra

se os mafiosos

fizessem estas coisas

nesta nossa Sicília

secariam os espinhos

e floresceriam as rosas

e eu levantar-me-ia

e aplaudiria

porque não seriam mais mafiosos

mas sim cristãos

Mas como fazer compreender

o que significa o amor

a estas pessoas ignorantes

com a mente vazia

e sedentas de poder

como fazê-las compreender

o que significa a dor

quem ainda se atreve

a benzer-se

e a rezar a Deus

Pensamos, com este curso, cumprir aquilo a que nos propusemos: melhorar a qualidade da educação pelas aprendizagens obtidas em contextos educacionais fora da sala de aula; fortalecer a dimensão europeia da educação e da instituição; utilizar metodologias e formas de ensino/aprendizagem inovadoras; promover a melhoria das competências linguísticas em Inglês; estabelecer relações com outros países europeus de forma a desencadear mudanças em termos de modernização e abertura internacional dentro da organização educacional; compreender a diversidade social, cultural e linguística europeia; proporcionar o aumento de competências e motivação para ensinar.

Artigo: A voz da minha terra

Ao longo da História, um território sofre muitas transformações. Muitos delas são resultantes de transformações físicas sobre o território. Mas um território é também feito da nossa memória, e da influência daqueles que o habitaram e daqueles que ainda o habitam. Um impacto feito de objetos, edifícios, ruas e caminhos, cidades, mas também feito de pessoas provenientes de tantos lugares diferentes, às vezes distantes e incertas. pessoas que  trazem com elas as roupas e as cores, os sabores, os artefatos, isso é certo, mas mais do que isso, as suas tradições, idiossincrasias, a sua linguagem, sua poesia, o canto .

O território português não escapa a essa diversidade e pormenores. Ao longo dos séculos, povos distintos (alguns do norte, outros do sul) atravessaram o país, deixando para trás uma rica herança que ainda caracteriza sua identidade, que também foi projetada para outras culturas através de “mares nunca navegados antes”.
Artigo completo em: http://chain.eu/?m3=42536


Resume de modo simples e eficaz o curso. Divertido ainda por cima!…realizado com recurso à ferramenta imovie (uma interface simplificada e gestos Multi-Touch intuitivos, o iMovie permite usufruir dos  vídeos e contar as suas histórias de forma única).

Visualização do Video


SLIDESHOWSicília – Uma cadeia de civilizações

A chain of civilizations